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Debatedores analisam como a curadoria começa pela atuação do produtor

By 11 de outubro de 2019 No Comments

Por Belisa Figueiró

Com o título “Janelas e direitos: qual é o bom negócio?”, o terceiro dia do Reach reuniu produtores, distribuidores e agentes de vendas para discutir o papel de cada um desses profissionais na cadeia, inserindo os conteúdos audiovisuais no mercado e buscando novos públicos. A mediação foi de Juliana Jacobsen, da BF Distribution.

Rodrigo Teixeira, da RT Features, começou destacando a função do produtor como curador de conteúdo em um cenário em que a oferta de projetos e produtos audiovisuais é muito superior à capacidade de absorção do mercado e do público.

Na sua visão, essa oferta é tão grande que nem mesmo as grandes plataformas digitais, como Netflix, conseguem distribuir tantos conteúdos. Nesse sentido, Teixeira preferiu deixar claro que não se trata de uma opinião pessimista com relação ao gargalo da distribuição, mas sim realista.

“Existe uma bolha da produção. No Brasil, se produz 150 filmes por ano, mas não há um circuito exibidor para isso e o público não assiste a tantos filmes”, disse Teixeira. Para ele, neste momento, seria necessário investir na formação do público e na ampliação do circuito de salas.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a excelente safra de novos filmes brasileiros, especialmente aqueles que estão circulando nos festivais internacionais. Entretanto, o produtor lembrou que a crise na Ancine deverá afetar diretamente todo o setor em 2020 e 2021.

A distribuição dos filmes independentes, inclusive no circuito de salas de arte dos Estados Unidos, está muito aquém do que já foi há dois anos. Mas ele acredita que ainda surgirá um circuito menor, focado nos nichos, para contemplar os cinéfilos locais.

O uruguaio Sandino Saravia, da Cinevinay, é coprodutor dos filmes do diretor brasileiro Gabriel Mascaro e produtor-associado de Roma também dividiu a mesa com Teixeira. Com relação às novas plataformas, ele disse que teme a velocidade feroz com que os grandes players estão reorganizando o mercado absorvendo toda mão de obra técnica e talentos criativos em contratos de exclusividade e como isso pode deixar os produtores independentes desfalcados. Mesmo não sabendo o que vai acontecer no futuro, “até porque a própria indústria não sabe o que vai acontecer”, o melhor jeito de trabalhar é seguir com a curadoria, investindo em bons filmes, bons realizadores, conectando a audiência e fazendo um cinema de arte, na sua opinião.

A distribuidora e agente de vendas internacionais, Stacy Glassgold, falou que o seu trabalho é apoiar o trabalho dos distribuidores independentes em todos os países com os quais a sua empresa Blue Fox Entertainment atua. Ela é responsável pela venda para China do novo filme do Fernando Grostein , Abe , que fez sua estreia em Sundance. Os novos modelos criativos de distribuição, a partir do design de audiência, filme a filme, são alguma saídas para a sobrevivência nesse mercado, na sua visão.

Ela acredita que diminuir o tempo entre as janelas, alcançando os diversos públicos nas plataformas, também é uma maneira fundamental de salvar os independentes. “É preciso que haja uma flexibilidade para não morrer”, disse ela. Assim como os produtores, Stacy acredita que é essencial que os distribuidores, e até mesmo os agentes de vendas, comecem a investir e a participar dos projetos desde o início, e não apenas quando os filmes estão prontos. Isso ajuda a pensar nas estratégias de vendas nos estágios mais iniciais.