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Confira os debates do segundo dia do Reach

By 9 de outubro de 2019 No Comments

Por Belisa Figueiró

O primeiro painel do segundo dia do Reach discutiu “Curadoria e relevância: conectar e criar audiências”. Estrella Araiza, do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, abriu a mesa falando sobre o papel do evento em oferecer filmes inéditos para o público local, levando em consideração que os longas-metragens norte-americanos são exibidos em 93% das salas do México. Ou seja, ao mesmo tempo em que é um grande desafio, as oportunidades de encontrar as diferentes audiências mexicanas são enormes.

Edward Humphrey, do BFI, apresentou o BFI Play ressaltando o conteúdo de nicho da instituição e a importância da curadoria. Em suas palavras, ter o filme no catálogo da plataforma significa uma chancela fundamental para o produtor, o realizador, e para o público, que reconhece essa qualidade certificada. 

André Saddy destacou o papel do Canal Brasil nesse mercado independente e de nicho. Na programação, os filmes brasileiros, de uma maneira geral, encontram o seu espaço no canal. Para as coproduções, entretanto, os critérios são mais específicos. A equipe seleciona os projetos que tenham maior potencial de circular pelos maiores festivais internacionais: Sundance, Berlim, Cannes e Veneza. 

A segunda mesa foi dedicada ao negócio das plataformas digitais e como alcançar a audiência de maneira mais assertiva. Com o título “O caminho para a audiência passa pelos dados”, os debates foram abertos com Paulo Pereira, da Desbrava. A empresa analisa o comportamento dos consumidores em vários segmentos. A partir dos dados, a equipe consegue destrinchar o público dos filmes e mostrar os resultados de market share das empresas produtoras e distribuidoras envolvidas.

Luis Fernando da Silva, da Parrot Analytics detalhou o que ele chama de “genoma do conteúdo”, baseado em dados que buscam entender o que, como e por que determinado conteúdo funciona. Nesse sentido, a Parrot desmembra o filme por personagens, história, atores, argumento, tema, gênero, elenco, diretor, empresa produtora e etc, inter-relacionando essas informações com os resultados no mercado de exibição. 

Tiago Lessa, da Globoplay, apresentou a plataforma em diferentes formatos e aparelhos, mostrando as potencialidades de coleta de dados do perfil dos usuários para poder oferecer novos filmes, séries, programas e etc. Ele foi enfático em afirmar que os dados são importantes, mas que o que vai fazer a diferença é a qualidade do conteúdo que se entrega para o usuário. “Os dados ajudam a conectar as pessoas certas com o conteúdo certo”, afirmou.

Jero Santamarina representa a empresa australiana Eyelet, dedicada à tecnologia de streaming, tornando os conteúdos “portáteis para qualquer lugar do mundo”. Isto é, o mesmo filme pode ser acessado independentemente da região em que o usuário esteja conectado à plataforma. Com isso, o modelo de negócio inclui oferecer até mesmo novos pontos de venda para os agentes ou produtores que detêm os direitos. 

Por fim, Fábio Lima, da Sofá Digital, falou especialmente sobre a Filmmelier, uma plataforma da Sofá Digital para divulgar os filmes que estão disponíveis nas plataformas digitais parceiras. A ideia é gerar dados e entender como a audiência escolhe os filmes e de fato pagam para assisti-lo. “Queremos ajudar as pessoas a escolher o filme, mas não exatamente influenciar. Eu acho que os algoritmos não conseguem fazer isso porque eles não têm dados suficientes”, disse ele.