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O papel da curadoria na busca pela audiência

By 8 de outubro de 2019 No Comments

Por Belisa Figueiró

O segundo dia do Reach começou com a mesa “Curadoria e relevância: conectar e criar audiências”, trazendo André Saddy, no Canal Brasil; Edward Humphrey, do BFI; e Estrella Araiza, do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara; mediados por Juliana Barbieri, do Mubi.

Estrella começou o debate falando do foco no público de Guadalajara na escolha dos filmes. Além do festival, a equipe também agora é responsável por uma cinemateca local, com seis salas funcionando o ano inteiro, cujos curadores são os mesmos da mostra anual. O papel deles, portanto, acaba sendo oferecer filmes inéditos para esse público, levando em consideração que os filmes norte-americanos são exibidos em 93% das salas do México, de acordo com ela. Ou seja, ao mesmo tempo em que é um grande desafio, as oportunidades de encontrar as diferentes audiências mexicanas são enormes.

O festival também já fez uma tentativa de exclusividade com a Amazon para exibição digital dos longas-metragens pós-festival que acabou se revelando uma estratégia não muito eficiente. Estrella explicou que hoje eles trabalham com todas as plataformas interessadas em participar do festival, desde Netflix até a Retina Latina, especializada em conteúdo produzido na América Latina.

Humphrey começou a sua fala destacando os 80 anos do BFI como instituição cultural no Reino Unido, com várias frentes: desde um arquivo muito amplo da produção audiovisual da televisão britânica, passando pela cinemateca local, programas de formação de público e de fomento a novas produções. 

Recentemente, o BFI Play foi lançado para oferecer esse acervo na plataforma digital, mas sem a intenção de competir com os grandes players. Assim como os demais convidados, ele ressaltou o conteúdo de nicho da instituição e principalmente o de curadoria. Em suas palavras, ter o filme no catálogo do BFI Play significa uma chancela fundamental para o produtor, o realizador, e para o público, que reconhece essa qualidade certificada. O BFI Play, dessa forma, acaba sendo um formador de opinião fundamental. 

Ele buscou fugir um pouco do que chamou de um certo senso comum na indústria de acreditar que o gosto do público está mudando muito rapidamente. Na verdade, segundo ele, a intenção continua praticamente a mesma: histórias que emocionem. Sendo assim, ter boas histórias é o que realmente importa e é por elas que as plataformas estão brigando atualmente.

Ao mesmo tempo em que os grandes players estão se fortalecendo no andar de cima, Humphrey acredita que há um espaço muito amplo, diverso e importante para ser ocupado no andar de baixo, pelos independentes.

André Saddy destacou o papel do Canal Brasil nesse mercado independente e de nicho. Na programação, os filmes brasileiros, de uma maneira geral, encontram o seu espaço no canal. Para as coproduções, entretanto, os critérios são mais específicos. A equipe seleciona os projetos que tenham maior potencial de circular pelos maiores festivais internacionais: Sundance, Berlim, Cannes e Veneza. 

O papel do Canal Brasil também foi ressaltado dentro de um contexto em que os filmes brasileiros estão cada vez melhores e diversos, mas que não encontram espaço suficiente nas salas. Para ocupar esse espaço, o canal entrou nas plataformas digitais, buscando atrair esses e novos espectadores, de forma quase orgânica.